Australian Open 2025: Prefácio para a restante temporada?

Australian Open 2025: Prefácio para a restante temporada?

O Australian Open já aconteceu, já temos os primeiros campeões de um Grand Slam.

Por João Fragoso

Estamos no início de mais um ano civil, o que significa que o Australian Open já aconteceu, já temos os primeiros campeões de um Grand Slam, e podemos mesmo ter experienciado um prefácio da temporada que ainda agora começou.

Para 2025 o torneio australiano aumentou o prize money em sensivelmente 11%, representando assim um valor total de 96.5 milhões de dólares australianos. Tanto o vencedor do quadro masculino como do feminino leva para casa cerca de 3.5 milhões de dólares australianos, algo como 2.1 milhões de euros. Vencedores esses que foram Jannik Sinner e Madison Keys. Surpresa no circuito feminino, algo esperado no lado masculino. 

©Corinne Dubreuil : FFT

©Corinne Dubreuil : FFT

Surpresas nas senhoras

Começando pelo circuito WTA, Madison Keys fez um torneio absolutamente fenomenal, principalmente desde os dezasseis avos de final, onde bateu a sua compatriota e décima cabeça de série, Danielle Collins. Na ronda seguinte, seguiu-se Elena Rybakina e Elina Svitolina nos quartos de final. Keys tinha assim pela frente na meia-final Iga Swiatek, ex-número 1 do mundo e detentora de 5 títulos do Grand Slam. Foi um jogão! Para aqueles que não tiveram oportunidade de assistir a este confronto, façam-no porque vale muito a pena. Apesar de perder o primeiro set, Madison Keys conseguiu uma exibição avassaladora no segundo parcial, levando o terceiro a match tie-break, vencendo o mesmo por 10-8, com uma confiança e autoridade fantástica, principalmente nos momentos decisivos.

 No final, a norte americana tinha pela frente, nada mais nada menos, que a número 1 mundial, Aryna Sabalenka. O resultado parecia estar praticamente decidido até mesmo antes das jogadoras entrarem em campo, mas Keys tinha outras ideias. Com um ténis extremamente ofensivo e sem deixar Sabalenka respirar, a tenista americana venceu o primeiro set por 6-3. E apesar de ter perdido o segundo por 6-2, venceu o parcial decisivo por 7-5, ganhando o seu primeiro torneio do Grand Slam e regressando ao seu melhor ranking de carreio, a 7ª posição da hierarquia WTA. Esta conquista teve ainda a dificuldade acrescida de ter sido necessário bater a nº1 e nº2 do mundo consecutivamente.

Madison Keys_©Corinne Dubreuil : FFT

Madison Keys_©Corinne Dubreuil : FFT

Surpresas nos homens... menos no vencedor

Do lado ATP, houve bastante surpresas logo nas primeiras rondas, com nomes sonantes e muitos cabeça de série a serem eliminados precocemente. Nomes como Grigor Dimitrov, Andrey Rublev, Alexei Popyrin e Stefanos Tsitsipas foram surpreendidos e não chegram sequer a meio da primeira semana na Austrália. Isso pode ter facilitado um pouco o caminho de alguns jogadores, mas olhando para o quadro e, principalmente para a competitividade que vemos neste momento no circuito masculino, facilidade é palavra que não encaixa muito bem.

À semelhança do que vimos com Madison Keys, olhemos então para Jannik Sinner, este um vencedor que poucos surpreendeu. Em teoria, a dificuldade para o nº1 do mundo começou apenas nos oitavos de final, com o confronto com Holger Rune, ainda que tenha perdido um set de forma surpreendente com Tristan Schoolkate na segunda ronda. Apesar disso, e de ter igualmente cedido um parcial ao tenista dinamarquês, Sinner esteve intocável nos quartos de final contra o melhor tenista australiano da atualidade, Alex de Minaur. Assim como contra Ben Shelton na meia-final, onde apesar de um primeiro set muito positivo do norte americano - e de ter forçado Sinner ao tie break - não resistiu a um duplo 6-2, perdendo assim a possibilidade de disputar a sua primeira final num torneio do Grand Slam.

Sinner apresentou um ténis fenomenal ao longo das duas semanas de torneio e esteve sempre mentalmente muito pragmático e pronto a responder a qualquer adversidade, ainda que poucas tenham surgido ao longo do torneio. Revalidou assim o título, e deixou antever muitas dificuldades aos seus adversários para a época que ainda agora começou.

Jannik Sinner & Zverev_©Corinne Dubreuil : FFT

Jannik Sinner & Zverev_©Corinne Dubreuil : FFT

Uma lesão comprovada

Uma pequeno nota ainda para Novak Djokovic que bateu Carlos Alcaraz nos quartas-de-final, mesmo depois de ter sido assistido à coxa. Apesar disso, acabou por desistir na meia-final depois de perder o primeiro set para Zverev. Muitos duvidaram da lesão do sérvio – inclusive Alcaraz parecia não estar a acreditar durante o embate entre ambos – e por essa razão Djokovic fez uma publicação com os exames médicos realizados, de forma a comprovar a veracidade da sua lesão. A verdade é que esta desconfiança se deve muito a atitudes passadas do sérvio, ainda assim, sair assobiado do Rod Laver Arena, não foi bonito de se ver, por tudo o que já fez pelo ténis, e principalmente, pelo Australian Open.

Novak Djokovic_©Corinne Dubreuil : FFT

Novak Djokovic_©Corinne Dubreuil : FFT

Os “tugas”

Pela primeira vez no Australian Open, estiveram dois portugueses na segunda ronda do primeiro Grand Slam da temporada. Nuno Borges venceu o seu primeiro encontro na Austrália, e Jaime Faria fez um qualifying imperial, conseguindo igualmente uma performance inacreditável na primeira ronda, conseguindo o feito inédito na sua curta carreira, de enfrentar Novak Djokovic na Rod Laver Arena, roubando ainda um set ao sérvio – ainda que tenha sucumbido após quatro sets. Já Nuno Borges chegou à terceira ronda, perdendo a mesma para Carlos Alcaraz, ainda que tenha conseguindo vencer um set. Mas a história de Nuno Borges terminou apenas nos quartos-de-final... no quando de pares. Onde alinhou com Francisco Cabral, conseguindo assim uma prestação histórica.

Francisco Cabral & Nuno Borges_@Bola Amarela

Francisco Cabral & Nuno Borges_@Bola Amarela

Prefácio para a temporada?

Do lado feminino, sabemos como o circuito pode ser mais imprevisível do que o masculino, ainda assim, o Australian Open deu sinais do que podemos vir a assistir neste ano que agora começa. Iga Swiatek e Aryna Sabalenka estarão certamente no topo durante a maioria da temporada, mas há muitas tenistas talentosas que podem surpreender ao longo do ano, e que acima de tudo, têm um ténis capaz de fazer frente à tenista polaca e à nº1 mundial.

Do lado masculino, é claro que Jannik Sinner está um pouco acima da concorrência, mas Alcaraz, Djokovic e Zverev parecem estar com excelente nível e a prescisar apenas de um pouco mais de confiança para bater o tenista italiano. Na equação, será muito importante também o plano físico, principalmente para Nole, que conta já com 37 anos e terá de fazer uma gestão de calendário quase perfeita para evitar problemas de maior. O sérvio poderá ter aqui o ponto chave da temporada e do que resta da sua carreira. Como sabemos, e vimos, por Nadal e Federer, numa fase final é extremamente importante manter a parte física saudável, uma vez que o corpo já não recupera como outrora.

O nível parece estar a subir, comparativamente a 2024, com muitos jovens a quererem mostrar serviço, e isso só pode ser bom. Vai ser uma temporada longa, certamente com muito bom ténis. Venha ele.

Jannik Sinner AO 2025_©Corinne Dubreuil : FFT

Jannik Sinner AO 2025_©Corinne Dubreuil : FFT