Bem Vindo 2025

Bem Vindo 2025

E esta temporada pode vir a ser muito entusiasmante, por culpa de jovens ambiciosos e talentosos.

Por João Fragoso

O ano de 2024 foi um ano de confirmações e afirmações. Acima de tudo, foi uma ano de transição para o modalidade com o fim de uma era dourada para o ténis. Apenas “sobreviveu” um dos Big Three, e havia desconfiança sobre como a modalidade e a sua popularidade iam reagir. A verdade é que reagiu muito bem, também por culpa de dois rapazes, Carlos Alcaraz e Jannik Sinner. A temporada de 2025 começou ainda em 2024, com a United Cup, o torneio de Brisbane e Hong Kong, que iniciaram também a preparação para o primeiro Grand Slam da temporada, o Open da Austrália.

E esta temporada pode vir a ser muito entusiasmante, por culpa de jovens ambiciosos e talentosos que pretendem afirmar-se, não só como jovens promessas, mas também como candidatos a discutir os maiores e melhores torneios do mundo. Entre esses jovens estão naturalmente os dois nomes já falados, Jannik Sinner e Carlos Alcaraz, com 23 e 21 anos respetivamente e que deram muita vida ao circuito ATP no ano transato. Vimos também um torneio ATP Nex Gen Final com altíssimo nível, com o brasileiro João Fonseca a conseguir impor um ténis altamente ofensivo sobre os restantes, conquistando o título com apenas 18 anos. O jovem brasileiro tem um ténis potente e capaz de levantar estádios e o seu torneio do Rio levantou muitos holofotes sobre o mesmo, com as habituais previsões sobre o seu futuro e como em breve será “o melhor do mundo”. Calma...

Fonseca Next Gen Finals 2024 ATP

Fonseca Next Gen Finals 2024 ATP

As expectativas têm destruídos a popularidade de muitos jogadores e enfraquecido as suas capacidades, porque nem todos sabem lidar com elas da mesma forma. A procura insana por um novo Federer, Nadal ou Djokovic tem inclusive desiludido muitos fãs que acham que “é aquele!”, mas afinal não é. É preciso entender que tivemos a sorte de viver numa era dourada, onde foi possível assistir a quatro, e depois três, jogadores a um nível altíssimo que dificilmente era igualado na altura. Agora, o nível está alto também, mas mais homogéneo e por isso está a ser tão difícil algum jogador ter enorme destaque.

Precisamos de compreender onde nos encontramos no ténis, e no desporto no geral. A capacidade atlética dos seres humanos está a ser levada ao limite como nunca e estamos a ultrapassar barreiras incríveis. Todos, sem exceção, querem superar o que já foi feito, e por isso é mais difícil encontrar alguém que se destaque. Não sendo impossível, é mais difícil, mas quando acontece é também mais espetacular, como nos têm mostrado Sinner e Alcaraz – e também Djokovic com os seus 37 anos.

O top10 tem neste momento uma média de idades de 27 anos, mas há muitos jogadores bem abaixo disso no top 20 e 30, o que nos diz que há uma nova geração sedenta de mais e mais. Penso que 2025 vai ser um bom ano para acompanhar o circuito e que vamos ter muitos dos jogadores agora fora do top 10 a ficar dentro do mesmo ou às portas dos dez melhores do mundo.

Não apostaria contra Sinner e Alcaraz, mas apostaria em enormes dificuldades para o atual nº1 do mundo e o jovem espanhol. Veremos também se não será o último ano de Novak Djokovic ao nível que nos tem habituado – pelo menos até agora tem estado igualmente impressionante apesar da derrota para Opelka em Brisbane.

Bem-vindos a 2025.